Uma descoberta em Split

Foi uma surpresa para mim descobrir as preciosidades do Museu de Belas Artes de Split. Muitas vezes, quando viajamos, nosso olhar se volta naturalmente para os grandes museus e nomes já conhecidos, mas são justamente a pesquisa e a curiosidade que nos levam a encontros inesperados. Foi assim que pude conhecer com mais atenção a produção artística croata e perceber sua importância dentro de uma história da arte muito mais ampla.

O acervo percorre diferentes momentos da arte croata e da antiga Iugoslávia, reunindo artistas como Ante Kaštelančić, Ljubo Ivančić, Edo Murtić e Marija Ujević-Galetović. Nesse percurso, também encontramos Marina Abramović, que, depois de estudar em Belgrado, continuou sua formação na Academia de Belas Artes de Zagreb, entre 1970 e 1972.



Esse dado me despertou a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre Zagreb e sua importância naquele momento. A cidade viveu, especialmente a partir dos anos 1950 e 1960, um período muito interessante de renovação artística, com experiências ligadas à abstração e a novas formas de pensar e produzir arte. Foi um ambiente de muita experimentação e de diálogo com o que estava acontecendo internacionalmente — e entender esse contexto tornou ainda mais interessante conhecer os artistas que encontrei no museu.

Entre tantas descobertas, uma obra em especial me encantou: Divan, de 1905, de Vlaho Bukovac. A riqueza dos detalhes da tapeçaria, o tratamento do vestido e, principalmente, a luminosidade da pintura criam uma atmosfera que parece nos aproximar de outro tempo. Mesmo marcada pela tradição acadêmica, a obra revela uma sensibilidade pictórica que vai muito além da precisão técnica.

A visita reforçou algo em que acredito cada vez mais: conhecer arte também exige curiosidade. Pesquisar antes de uma viagem, entrar em instituições menos óbvias e olhar para artistas que ainda não fazem parte do nosso repertório são maneiras de ampliar nossa percepção. Em Split, foi justamente esse exercício que me aproximou de uma produção artística que eu conhecia pouco — e que certamente merece ser mais vista.


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