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The Only True Protest is Beauty / Fundação Dries Van Noten

  • Foto do escritor: Beth Venzon
    Beth Venzon
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura


Veneza é uma cidade a ser descoberta a cada viagem. História, arte, arquitetura, paisagens, lugares, pessoas. Legados imensos e iniciativas que encantam e ampliam o olhar, conhecimento incentivando a criação. 


O endereço de hoje é o Palazzo Pisani Moretta, localizado no Grande Canal de Veneza. Uma referência da arquitetura gótica veneziana o qual passou por muitas intervenções, mas teve um período considerado dourado no início do século 17 e uma transformação audaciosa interna no estilo Rococó no século 18. Entre os artistas, obras e os mestres venezianos Jacopo Guarana, Giuseppe Angeli e Giovanni Battista Tiepolo. Tiepolo tem sala própria com  afrescos deslumbrantes   capturando nosso olhar e dialogando com a arquitetura e as obras da exposição: O Único Protesto Verdadeiro é Beleza.



Antes de contar sobre a mostra gostaria de salientar que esta é iniciativa do designer Belga Dries Van Noten, o qual adquiriu o prédio em 2025 junto com seu sócio Patrick Vangheluwe com o objetivo de transformá-lo em um espaço dedicado à arte, ao artesanato e ao diálogo cultural. Agora passa a abrigar a Fundação Dries Van Noten.


Dries Van Notem sempre foi um apaixonado por arte, história, arquitetura, tecidos, mobiliário,  jardins, pessoas e lugares sendo descobertos a partir do  seu estudo, olhar atento e cuidadoso. Bordados com a beleza de brilhos e mix de elementos, a beleza artesanal e cromatismos sempre foram seu foco. Referenciais traduzidos sabiamente em criações espetaculares ao longo de 4 décadas de 1986 até 2025, quando deixou  a direção criativa de sua marca homônima e iniciou um novo capítulo em sua vida profissional nos proporcionando um espaço dedicado ao estímulo e incentivo criativo.


E assim, em abril de 2026, as portas do Palazzo Pisani Moretta se abrem para apresentar uma grande exposição dedicada à beleza como catalisador de provocação e transformação. São dois andares somados ao térreo. Jardim para contemplar a delicadeza de uma entrada que nos leva para a obra The Blind Leading the Blind #48 de Peter Buggenhout, obra monumental  que afirma a beleza como exigência emotiva e tensão  provocativa. Ao fundo o Grande Canal com espaços para admirar a icônica cidade. 


The Blind Leading the Blind #48 de Peter Buggenhout
The Blind Leading the Blind #48 de Peter Buggenhout

A exposição é um diálogo com diferentes expressões através de mais de 200 objetos entre moda, joalheria, vidro e fotografia. Revelam a dimensão humana do criar, distribuídas estrategicamente pelos espaços que sinceramente nos convidam a permanecer muito tempo por lá e ver várias vezes toda a narrativa desenhada entre as peças. Uma curadoria impecável, instigante e muito importante de de Dries Van Noten com Geert Bruloot.



O Palazzo é parte integrante, é parte ativa proporcionando diálogos entre formas e histórias, entre tempo e conceitos, onde a beleza não é ideal estático, mas presença que questiona. Percepção aguçada que desperta entre criações e legados de técnicas que ganham novos caminhos e expressões.


A cada sala um tema e para cada tema abrem-se conexões, onde certezas não cabem, mas novos olhares para o que significa beleza. 



A primeira sala  abre-se à nossa frente após uma série de degraus belíssimos que atravessam os séculos. Aqui portas amplas e espaço idem nos recebem para o tema principal: A Vitória da Luz sobre as Sombras. Um retrato monumental  de Steven Shearer domina a entrada e evoca um estado de paz profundo e ao mesmo tempo uma gélida mortalidade. A penumbra se estende com criações de Comme des Garçons, Rei Kawakubo em silhuetas  arquitetônicas  e Christian Lacroix com  o look icônico de 1988 com uma cruz que foi capa da Vogue e sinalizou grandes mudanças na moda. Aos poucos  a luz vai ganhando espaço  redefinindo  volumes, texturas, imagens como a escultura de Kate MccGwire como uma nuvem e mais criações de Comme des Garçons em suave luz num caminho de reencontro com olhar otimista, mostrando uma beleza de forças opostas.


Steven Shearer
Steven Shearer

Quando as cores falam e se tornam linguagem visceral, abre-se uma nova perspectiva. Um vestido azul de Christian Lacroix e retratos de Steven Shearer  estão expostos no contraste de uma parede vermelha, assim como as perucas de Comme des Garçons da sala 03 do primeiro andar.



O núcleo considerado de impacto emocional do espaço está na obra de Joyce J. Scott concentrando a luminosidade que se fortalece no vidro como matéria-prima, um narrativa de resiliência que é emoldurado pelos contratantes texturas de cristais artificiais de Issac Monté e nas explosões compositivas de cerâmicas azuis e douradas de Virginia Leonard.



O passeio pela exposição é fascinante. Convida a permanecer, a descobrir, a voltar. Arte, design, moda numa interação nunca vista em suas composições. Desafios de cada espaço temáticos instigantes e cuidadosamente pensados.

Minha vontade de contar a vocês sobre cada um dos temas, mas são muitos. Ainda agora continuo com as imagens presentes dessa experiência que valeu cada minuto.


Concluo com a sala 14 do segundo andar onde Caos e Ordem entram em cena com assemblagens de Peter Buggenhout e as obras multiformes de Misha Kahn cujos elementos dispares encontram harmonia inesperada. O próprio vestido de noiva de Christian Lacroix entre rendas e joias  se transforma numa densa profusão de tecidos resultando numa criação perfeitamente organizada, 



Quanta beleza! Quantas formas de ver e compreender o momento que vivemos: fluido, múltiplo em suas expressões e infinitas possibilidades de caminhos da beleza em seus elementos singulares. Como dizia Charles Bauldelaire: o belo é sempre bizarro. Não digo que seja voluntariamente... digo que contém aquele pouco de estranheza que o faz ser particularmente Belo. 



Espero que tenham gostado desse passeio que amei compartilhar, ao menos parte dele com vocês. 


Com certeza será a primeira das muitas ações que acontecerão a partir de agora.

Deixo aqui o @fondazionedriesvannoten para acompanharem de perto a programação e se estiverem em viagem por lá até 04 de outubro de 2026 fica o convite para visitarem a exposição.



Um beijo,

Beth Venzon


 
 
 

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